Paulo Greuel

Brasil
1951 – 2021
 
A fotografia de Paulo Greuel gira em torno da reflexão sobre a própria natureza da fotografia. Uma natureza que Greuel reorganiza com o objetivo de abstrair o tema representado, sem decompô-lo. Greuel mergulha profundamente na imagem, exaltando seu íntimo e imperceptível coração, sua unidade de medida, sua célula de tinta: O pixel. Uma constante em todo o trabalho fotográfico de Greuel é de fato a alteração da percepção física do tema. Greuel fotografa o objeto, o corpo, a paisagem, sem seguir os parâmetros estéticos e teóricos da Kunstakademie, em Düsseldorf, Alemanha, cidade onde ele começou sua carreira fotográfica: pelo contrário, suas imagens aspiram uma visão mais poética e pictórica. Não existem, em suas fotografias, arquétipos pós-modernos evitando o entretenimento e a identidade humana; é, de fato, no elemento humano e nos locais de interação que o fotógrafo brasileiro procura, encontra e exalta a sua concepção visual da fotografia. Uma fotografia que é irônica e divertida, mas também extremamente consciente sobre o mundo globalizado, hiper-tecnológico, superficial e confuso, na fusão de real e imaginário.
 
A série K.V.P.15.5.51 = F.O.T.O.G.R.A.F.I.A.S. é um novo capítulo nessa pesquisa filosófica sobre a imagem. As fotografias em tamanho grande personificam a fixação de Greuel sobre o pixel. A imagem, que sempre tem origem nas situações do cotidiano, é registrada em baixa resolução e super ampliada para ressaltar sua estrutura; a rede de quadrados minúsculos, coloridos e brilhantes dos pixels, que assumem ambos: uma visão individualista e outra global, abrangente. O sentido de profundidade é perdido, deixando a visão fluir com um senso imaginativo de abstração. Paisagens, rostos, situações que não existem mais, desaparecendo em um mar de geometrias. O quadrado, a forma geométrica perfeita de acordo com a teoria do suprematismo de Kazimir Malevich, é utilizada e reelaborada por Greuel. Uma versão contemporânea fotográfica, indireta, ainda assim, não menos corajosa. De acordo com a teoria de Malevich, o objeto não significa nada. A forma como o mundo olha e a sua representação não são de forma alguma interessantes. O poder da arte é a expressão de uma sensibilidade desprovida de qualquer representação. Então, como interpretar as imagens de Paulo Greuel se não como a supremacia da sensibilidade do artista sobre o mundo físico? K.V.P.15.5.51 = F.O.T.O.G.R.A.F.I.A.S. celebra o poder da expressão pessoal e da subjetividade através de uma fotografia. Uma técnica que por um longo tempo foi considerada totalmente objetiva por causa de sua capacidade de reprodução da realidade. Greuel conta que, ao contrário, por trás de todo olhar fotográfico está a sensibilidade e a personalidade do fotógrafo: é a sua vontade e visão que produzem a imagem e a transformam de uma “arte retiniana” (de acordo com Duchamp) para um jogo da mente, sendo capaz de nos surpreender, nos seduzir e nos fazer sonhar. 
 
Nos anos 80 e 90, Greuel recebeu vários prêmios, teve trabalhos publicados nos Anuários, Photographis e European Photography, participou de mostras em galerias e museus de Düsseldorf, Frankfurt, Lisboa, Gênova, Bruxelas e Berlim. Ao longo da carreira, Greuel trabalhou com imagens publicitárias, produziu editoriais, desenvolveu um estilo único na fotografia artística e assinou diversas exposições no Brasil e na Europa.